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EUA anunciam possível cura de bebê contaminado pelo vírus HIV

Médicos norte-americanos anunciaram ontem ter curado um bebê do sexo feminino que nasceu com HIV depois de tratamento precoce com o coquetel antirretroviral, em um caso potencialmente pioneiro que pode oferecer esperança de erradicar a infecção por HIV entre crianças.

O bebê recebeu antirretroviral até os 18 meses, ficou os 10 meses seguintes sem medicamento e, após exame, não foi mais detectada quantidade significativa do vírus. Hoje, a criança tem dois anos e meio e continua livre do vírus.

O caso é o primeiro relato da chamada cura funcional de uma criança – um raro evento no qual uma pessoa atinge a remissão, estado em que não precisa mais de drogas e em que exames de sangue não mostram sinais de que o vírus esteja se replicando.

Mais testes são necessários para ver se o tratamento teria efeito em outras crianças, mas o resultado pode mudar a maneira com que bebês de alto risco são tratados e possivelmente levar à cura de crianças com HIV.

“Essa é uma prova de conceito de que o HIV pode ser potencialmente curável em crianças”, disse Deborah Persaud, virologista da Universidade Johns Hopkins, que apresentou a descoberta na Conferência sobre Retrovírus e Infecções oportunistas em Atlanta.

Quando o bebê nasceu num hospital rural do Mississippi, a mãe tinha acabado de receber o resultado positivo para o teste de HIV. Como ela não havia feito profilaxia durante a gestação, a criança tinha grande risco de estar infectada. O bebê foi transferido para a Universidade do Mississippi, onde passou a ser tratado por uma especialista em crianças com HIV, Hannah Gay.

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A médica administrou um coquetel com três drogas anti-HIV quando a criança tinha apenas 30 horas de vida. Em gravidezes mais típicas, quando uma mãe infectada com HIV recebe drogas para reduzir o risco de transmissão para a criança, o bebê só receberia uma única droga para reduzir o risco de infecção.

Depois de iniciar o tratamento, testes mostraram que o nível do vírus estava diminuindo, até que se tornou indetectável aos 29 dias de vida. O bebê recebeu tratamento padrão até os 18 meses, mas então parou de comparecer às consultas por 10 meses, período no qual a mãe afirma que a menina não recebeu qualquer medicação. Foi quando Hannah reassumiu o caso, realizando exames padrão. O primeiro teste mostrou que não havia níveis detectáveis de HIV. Assim como o segundo.

Perplexa, Hannah contatou colegas da Universidade de Massachusetts, que fizeram uma série de exames de sangue mais sofisticados. O primeiro deles buscou reservas silenciosas do vírus, que permanecem dormentes, mas podem replicar se forem ativadas. Nada foi encontrado. Em um teste para identificar o DNA do HIV, níveis muito baixos do vírus foram encontrados, o que levou a equipe médica a suspender a terapia antirretroviral.

No Brasil, o Ministério da Saúde possui um protocolo de prevenção de transmissão do HIV de mãe para filho que prevê a profilaxia do bebê logo ao nascer, mesmo que a mãe não tenha


 

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