Religiões

As Religiões Afro Brasileiras, Cultura e seus significados

As Religiões Afro Brasileiras

No Brasil, a escravidão colocou em contato as religiões de diferentes povos africanos, que acabaram por assimilar e trocar entre si elementos semelhantes de suas culturas. Assim se sobrepuseram e se fundiram ritos de origem distinta num amálgama comum de que surgiram as religiões afro-brasileiras. O candomblé é uma das religiões afro-brasileiras mais conhecidas em todo o País, sendo seu panteão constituído pelos orixás, inquices e voduns, divindades dos povos ioruba, banto e jeje, respectivamente.

 

As religiões afro-brasileiras recebem nomes diferentes dependendo do lugar e do modelo de seus ritos. No nordeste há o tambor-de-mina maranhense, o xangô pernambucano e o candomblé baiano. No Rio de janeiro e São Paulo prevalecem a umbanda e o candomblé e no Sul, o batuque gaúcho. Isso evidencia as permanências e transformações africanas nas religiões afro-brasileiras. […]

 

De uma perspectiva histórica, todas essas formas de religiosidade foram vistas pelos colonizadores europeus e cristãos como perigosas expressões de idolatria e pecado, a serem extirpadas pela conversão, para garantir aos escravos a salvação de sua alma. Ainda hoje persiste essa visão que associa expressões religiosas afro-brasileiras como o candomblé e a umbanda a ritos demoníacos de feitiçaria.

Significado da Cultura afro-brasileira

   O que é a Cultura afro-brasileira:

Cultura afro-brasileira é o conjunto de manifestações culturais predominantes no Brasil, formada a partir da junção de elementos da cultura dos povos africanos que foram trazidos como escravos para o país durante o período colonial.

A cultura afro-brasileira é caracterizada e construída pela incorporação das expressões culturais dos africanos com outras tradições e culturas que formam a identidade brasileira, como a indígena e a europeia.

História da cultura afro-brasileira

Durante o Brasil Colonial, todo o tipo de manifestação cultural de origem africana era desestimulada e marginalizada na sociedade. Naquela época, os costumes e tradições dos povos africanos eram considerados primitivos e selvagens pelos europeus.

Com o fim da escravidão no Brasil (1888), começa um lento processo de reinterpretação da cultura africana. Em meados do século XX, a elite brasileira começa a enxergar alguns aspectos culturais africanos como expressões artísticas legítimas e que representam a identidade nacional.

Aproximadamente 40% de todos os negros que foram capturados de suas terras na África foram vendidos como escravos no Brasil. Devido a essa migração massiva, a presença da cultura africana ajudou a constituir a base dos atuais costumes e tradições dos brasileiros.

A cultura afro-brasileira está presente em quase todas as formas que compõe a identidade cultural nacional, como a dança, música, culinária, religião, folclore, etc.

Características da cultura afro-brasileira

Heterogênea, ou seja, em determinadas regiões do país há uma maior predominância de algumas das suas particularidades. Por exemplo, a culinária afro-brasileira está mais presente no Nordeste do que no Sul do Brasil;

Constituída a partir das heranças culturais de diferentes povos africanos. Assim, houve uma inevitável apropriação cultural entre os costumes de povos de vários locais da África. No entanto, há a presença de dois principais grupos: Bantos (oriundos do Congo, Angola e Moçambique) e Sudaneses (da África Ocidental, Sudão e Guiné);

De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (nº 10.639/2003), as escolas brasileiras devem inserir no currículo escolar o ensino da cultura afro-brasileira e a sua história;

Os estados brasileiros com maior expressão da cultura afro-brasileira são: Alagoas, Pernambuco, Maranhão, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul. A explicação para isso está no fato de terem sido os locais que receberam uma migração de escravos mais intensa durante o período colonial.

Música e dança na cultura afro-brasileira

Esses são dois aspectos que tiveram grande influência da cultura africana. Com o tambor como base para os ritmos, muitos gêneros musicais e de dança se consolidaram no país, como o Maracatu, a Cavalhada, a Congada, a Capoeira, o Samba, entre outros.

Capoeira (origem)

Atualmente a capoeira é considerada um Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, mas nem sempre foi assim. A capoeira foi proibida no Brasil durante muitos anos, tida como uma atividade de marginais.

Apenas a partir da década de 1930 é que a prática passou a ser permitida no país, através de uma lei sancionada pelo presidente Getúlio Vargas.

Originalmente, a capoeira tinha o propósito de servir como defesa pessoal dos escravos fugitivos. Ao acrescentar melodias enquanto executavam os movimentos, faziam de conta que se tratava de uma dança e podiam treinar dentro das senzalas sem levantar suspeitas.

Samba (origem)

Entre todos os gêneros musicais que foram herdados da cultura africana, o samba é o mais expressivo. É parte importante da identidade do povo brasileiro.

O samba surgiu entre os escravos nas senzalas, onde os homens cantavam e tocavam instrumentos de percussão (tambores, por exemplo), enquanto as mulheres dançavam ao som do ritmo.

Culinária na cultura afro-brasileira

A cultura africana também está fortemente representada nos pratos típicos nacionais, como o vatapá, a feijoada, o acarajé, a cocada, a pamonha, o sarapatel, etc.

A culinária afro-brasileira usa de ingredientes trazidos pelos povos africanos e adapta algumas receitas tradicionais dos portugueses e indígenas, criando uma gastronomia própria e rica.

Feijoada

Feijoada portuguesa foi adaptada pelos escravos, acrescentando partes pouco nobres da carne de porco (por exemplo), couve cozida e farinha de mandioca torrada (farofa).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vatapá.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pamonha

 

 

 

 

 

 

Religião na cultura afro-brasileira

Vítima de muito preconceito por décadas, as religiões e cultos oriundos da África sempre foram marginalizados na sociedade brasileira. No entanto, a partir de meados do século XX a intensa perseguição que sofriam começou a diminuir.

O Candomblé e a Umbanda são as manifestações religiosas de origem africana mais conhecidas, sendo a última criada a partir do sincretismo entre o catolicismo, o espiritismo e o Candomblé.

Aliás, o sincretismo religioso está muito presente nas religiões afro-brasileiras. Vale lembrar que os escravos eram obrigados a se converter ao catolicismo quando chegavam ao Brasil e proibidos de praticar as suas crenças. Assim, os afrodescendentes passaram a criar associações de santos católicos com os seus orixás para que pudessem pôr em prática as suas tradições religiosas secretamente.

Festas na cultura afro-brasileira

Muitas festividades populares no país também têm influência da cultura africana, como o Carnaval, a Festa de Iemanjá (2 de fevereiro), o Bumba-meu boi, a Folia de Reis e a festa de São Benedito.

 

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