Gripe – Sintomas e Tratamento

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O que é GRIPE?

A gripe é uma doença respiratória aguda, geralmente autolimitada, causada pelo vírus da influenza. Caracteriza-se por apresentar distribuição universal e ocorrer em surtos ou epidemias, com grande impacto na saúde pública.

Quais são as diferenças entre gripe e resfriado?

Apesar de doenças distintas, são frequentemente confundidas. O RESFRIADO pode ser provocado por diferentes vírus respiratórios e caracteriza-se principalmente por sintomas de vias aéreas superioras, como coriza, obstrução nasal, ardor de garganta, conjuntivite e eventualmente tosse, com pouco ou nenhum comprometimento geral do organismo. A GRIPE é provocada exclusivamente pelo vírus influenza e, além de apresentar os sintomas de vias aéreas superioras e inferioras com maior intensidade que o resfriado, caracteriza-se por repercussão por todo o organismo e comprometimento do estado geral.

Porque existe a necessidade de vacinação anual

Acontecem frequentemente, geralmente anualmente, pequenas mutações no genoma do vírus (antigenic drift) e têm como resultado o surgimento de uma nova variante viral, capaz de escapar da imunidade estimulada por uma infecção ou vacinação anterior. Em função de uma seleção natural, esse novo vírus passa a ser o predominante e advém uma nova epidemia de gripe.
Em alguns períodos maiores, intervalos de 10 a 40 anos, ocorrem grandes variações no genoma viral ( anigenic shift) com o surgimento de um vírus totalmente novo para o qual não existe imunidade e a doença se dissemina de forma rápida e tende a atingir dimensão mundial (gripe asiática, gripe espanhola, por exemplo)

Impacto da GRIPE sobre a morbimortalidade da população:

A gripe apresenta um impacto significativo na morbidade (doença) e mortalidade de uma determinada população. Durante o curso de uma epidemia, cerca de 20% da população mundial é acometida. Um estudo realizado nos EEUU revelou que no período de 1972 a 1992, as epidemias de gripe foram responsáveis por 426.000 mortes. Infelizmente, não dispomos de dados sobre este problema no Brasil.
A gripe também tem importante impacto na economia, pois é uma das principais causas de afastamento temporário do trabalho e absenteísmo escolar.

Época do ano que ocorrem as epidemias de gripe:

Ocorrem tipicamente no período de inverno ou início da primavera. No entanto, nas regiões tropicais, essa sazonalidade pode não ser respeitada. A epidemia de gripe tipicamente inicia-se de maneira abrupta, atinge seu ápice em três semanas e dura cerca de dois a três meses.

Transmissão da gripe:
A disseminação do vírus da gripe ocorre por meio de secreções respiratórias, principalmente na forma de aerossol. Há também a possibilidade de transmissão pelo contato com as mãos, que posteriormente são levadas à boca, com a secreção contaminada. As pessoas contaminadas são capazes de transmitir a gripe desde um dia antes até 7 dias após o início dos sintomas. Algumas crianças podem permanecer contagiosas por períodos maiores do que uma semana.
O tempo de incubação da infecção do vírus da gripe varia de um a 4 dias.

Sintomas da gripe:
Tipicamente se caracteriza por ser um quadro febril de início súbito. A febre usualmente é o sintoma mais importante, pode ser elevada e acompanhada de calafrios, dores no corpo, dor de cabeça e prostação. Posteriormente surgem os sintomas respiratórios como: tosse, dor de garganta e congestão nasal. Frequentemente há dor e ou irritação ocular com fotofobia. Estes sintomas durante cerca de dois a cinco dias, podendo em alguns casos, a febre persistir por uma semana.

Complicações da gripe:
A gripe, na grande maioria dos casos, é uma infecção com curso benigno e autolimitado. NO entanto, em algumas situações, ela pode evoluir com complicações graves e, inclusive, levar ao óbito.
As principais complicações são as infecções bacterianas secundárias: pneumonia, otite e sinusite. É também, uma importante causa de exacerbação da DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica) e da asma.
Outras possíveis complicações, felizmente mais raras, são: encefalite, síndrome de Guillain-Barré (inflação generalizada dos nervos) e outras encefalopatias.)
Pessoas consideradas de risco para ocorrência de pneumonia após gripe:
É mais comum nos seguintes grupos:
– portadores de doenças crônicas do aparelho cardiovascular e pulmonar
– pacientes com diabetes, doença renal, doenças sanguíneas e imunossupressão.
– Residentes em asilos
– Maiores de 65 anos.

 

Profilaxia da gripe:
A medida de maior impacto na saúde pública para prevenção da gripe é a VACINAÇÃO.
A eficácia da vacinação contra a gripe vai depender principalmente da existência de similaridade entre os vírus gripais circulantes e os vacinais. Quando esta relação é muito próxima, a vacina confere índices de proteção de 50 a 80% contra a infecção pelo influenza.

Recomendações do Ministério da Saúde do Brasil para vacinação contra gripe:

1 – Pessoas com alto risco de desenvolver complicações pós-infecção gripal:
– pessoas com 60 ou mais anos de idade, particularmente se residentes em lares ou outras instituições.
– Independentemente da idade, pessoas residentes ou com internações prolongadas em instituições prestadoras de cuidados de saúde
– Pessoas sem-abrigo
– Todas as pessoas com idade superior a 6 meses, incluindo grávidas e mulheres a amamentar, que sofram das seguintes doenças: doenças crônicas cardíacas, renais, hepáticas ou pulmonares (incluindo asma), diabetes mellitus ou outras doenças metabólicas, outras situações que provoquem depressão do sistema imunológico, incluindo medicação (ex. uando corticosteroides) ou infecção pelo vírus HIV
– Crianças e adolescentes (6 meses a 18 anos) em terapêutica prolongada com salicilatos (AAS)
2 – Pessoas que podem transmitir o vírus a outras consideradas de alto risco:
– pessoal dos serviços de saúde e de outros serviços com contacto direto com pessoas de alto risco;
– pessoal dos serviços de saúde que trabalha em hospitais e que tenha contacto direto com doentes internados;
– co-habitantes (incluinda crianças> 6 meses) de pessoas de alto risco.

 

Contra-indicações à vacinação contra a gripe:
– primeiro trimestre da gravidez
– presença de doenças neurológicas em evolução
– infecção febril aguda (deve-se esperar a resolução do processo)
– alergia verdadeira ao ovo
– alergia a neomicina e ao timerosal (contém traços como conservantes)
OBS: A amamentação não é contra-indicação à vacinação.

A imunidade contra a gripe aparece em uma a duas semanas após a vacinação.

Efeitos colaterais da vacina contra a gripe:
As vacinas contra a gripe são bem toleradas. As reações mais frequentes são as locais, como dor e vermelhidão. Efeitos colaterais gerais (sistêmicos) ocorrente em menos de 5% dos pacientes, em geral oito a 24 horas após a vacinação. Os mais frequentes são febre baixa, dor de cabeça, dores musculares. Em raros casos podem aparecer alergias principalmente para indivíduos que tem alergia a ovo (o vírus é cultivado em ovos).
É importante ressaltar que a vacinação contra o vírus da influenza não provoca gripe, pois a vacina é composta por vírus inativados, mortos.

 

Vacinação contra gripe em indivíduos adultos saudáveis:
Não existe na literatura médica, consenso a respeito do verdadeiro impacto da vacinação contra gripe em adultos saudáveis. Em 2001 um grupo de pesquisadores (Cochrane et alls) realizou uma revisão sistemática da literatura médica. Os resultados mostraram uma redução, estatisticamente significante, no número de dias perdidos de trabalho no grupo vacinado, porém essa diminuição foi de apenas 0,4 dias. Assim, a vacinação de adultos saudáveis contra a gripe pode ser realizada, no entanto, sua indicação deve ser individualizada. Talvez numa população como a nossa no Jabaquara, com alta densidade demográfica, o impacto seja maior.

 

Pacientes com AIDS podem ser vacinados?
Podem e devem ser vacinados contra a influenza, pois há uma chance de complicações da gripe nesse grupo. No entanto, os pacientes com carga viral elevada e baixa contagem de CD4 podem não apresentar produção adequada de anticorpos.

 

Novidades em relação ao desenvolvimento de vacinas contra a gripe:
Recentemente, tem merecido destaque o desenvolvimento de vacina contra a gripe preparada com vírus atenuado e para aplicação intranasal. Os estudos mostraram resultados promissores, principalmente na população pediátrica.

 

Drogas antivirais que podem ser utilizadas para o tratamento da gripe:
Existem dois grupos de medicações que podem ser utilizadas no combate a gripe: Amantina/rimantadina e os inibidores da neuraminidase. São drogas mais eficazes que os analgésicos e os antitérmicos na redução da intensidade dos sintomas gripais, porém muito caras e pouco disponíveis.
Curiosidade
Não há evidência científica que suporte o uso da vitamina C no tratamento ou na profilaxia da gripe.

 

fonte: http://www.uniarfuncaopulmonar.com.br

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